Rescaldo do Mundo Mix

Pois é, já aconteceu mais uma edição do Mundo Mix, desta vez em Cascais, e rebaptizado de Molha Mix…

Um evento como estes nunca começa no dia em que está marcado, mas sim muito antes. Para mim, e por causa do trabalho do escritório, começou apenas na 5ª feira. Tirei dois dias de férias para poder produzir alguma coisa para levar. O cansaço acumulado já é tanto e de tal ordem que já não tenho conseguido chegar a casa com força para pegar no material e o transformar. 4ª feira à noite, saí do escritório depois das 9 da noite e apesar de ter muita vontade de ainda aproveitar o resto da noite para fazer alguma coisa, o meu estado pré-vegetativo mandou-me para a cama cedinho.
5ª foi dia de acordar relativamente cedo depois de uma noite bem dormida e bem descansada, fazer uns compras de material de última hora, e atacar a máquina de costura. Consegui na 5ª feira atingir os meus objectivos (e ir um pouco mais além) e fiz 30 pirâmides, todas elas destinadas a Cascais. Ao final do dia, foi começar a preparar os tecidos para fazer malas novas na 6ª feira (coisa que não fazia há já demasiado tempo!).

6ª feira foi de novo acordar cedo e conseguir atingir os objectivos propostos para esse dia. 3 malas novas, prontas para rumar a Cascais.
No final do dia, preparar sacos, bancas, mesas, cadeiras, panos, cabides, candeeiros, extensões eléctricas e deixar tudo à porta, pronta para sair de casa bem cedo.

Cascais, 1º dia:

Sábado, alvorada às 7 da manhã. Não ouvi o despertador =| começamos mal, pensei. Saltei da cama às 8 e às 9 e meia estava a arrumar as coisas no carro. Vi o céu cinzento, muito cinzento, e um vento que prometia puxar chuva, bem ao contrário do que tinha sido a semana anterior, com dias de muito sol e calor. Mas mantive a esperança de que em Cascais o cenário estivesse diferente.
Segui pela Marginal e não vi melhoras no tempo…mas continuei com a esperança de que, pelo menos, não chovesse!

Ao chegar a Cascais, percebi que Cascais é, muito provavelmente, a pior cidade do país em termos de sinalização e organização de estradas/ruas! Quem não conhece, como eu, facilmente se perde! Felizmente, todos os caminhos vão dar a Roma. E neste caso foram mesmo dar à Cidadela.

10 e pouco da manhã começo a descarregar o carro e começa a montagem. O Carlos já estava a descarregar também e demos início à pior parte de todas: a montagem do stand. Bancas para aqui, bancas para ali, ali não para não taparmos a passagem, agora mete aqui, ora experimenta ali.

Quando tudo estava praticamente montado, e já com a presença da Mão Maria, que voltou às Feiras depois de uns meses ausente pelo nascimento da Beatriz, começou o que todos receavamos e não desejavamos: a chuva.

Infelizmente, ao contrário do que todos esperavamos, a chuva veio mesmo para ficar…

Tudo o que estava no exterior do stand, teve que caber no interior. Teve que se tapar o que não se podia molhar e que quase não cabia no interior. Foi ver toda a gente a correr de um lado para o outro, para tentar minimizar os estragos e evitar prejuizos. Mas o dia, pela força da chuva, já se previa estragado 😦

O público esperado simplesmente não apareceu e muitos expositores desistiram para evitar prejuizos maiores, para alguns já grandes. Foi com muita consternação que vimos o Forte da Cidadela vazio de público, quando se aguardava uma enchente…

Com a chuva que ninguém esperava, vieram as molhas, e com o vento veio o frio.
O que nos aconchegava era o chá quente da Lipton, que bebemos quase aos litros, os diversos tipos de cappucino da Nescafé, e o sushi para manter o estômago, também ele, aconchegado.

Por todo o lado, na cara de toda a gente que resistiu e ficou, e mesmo na cara das pessoas da organização, estava estampada a desilusão, o desânimo e alguma [muita!] tristeza.
Cascais sempre foi reconhecida como a melhor edição do Mundo Mix, em termos de público. As expectativas, de todos, eram altas. Muito altas. E a chuva veio ditar que o público ficasse em casa ou preferisse os centros comerciais. Mas ainda assim, trouxe consigo o lado positivo destas situações: aumentou o convívio entre expositores. Convívio esse que já de si é espontâneo, que acontece sempre, mas nem sempre com muito tempo livre. Desta vez, e por falta de público e nada que nos ocupasse, o tempo foi passado na conversa com os vizinhos, conhecendo novos expositores, novas tendências e novas criações.

Rapidamente, e quase sem darmos conta, a noite foi chegando…difícil de passar por causa das roupas molhadas, dos cabelos encharcados, do frio acumulado, da humidade que vinha do mar ali ao lado, agora que já não chovia.
O público aumentou muito ligeiramente, é verdade, mas é verdade também que esse mesmo público era, na sua grande maioria, amigos de expositores que foram até à Cidadela para dar uma força.

O que me ajudou a aguentar a noite, o frio e a roupa molhda, foi a visita de amigos durante a tarde, que me deixaram um casaco [quente, quente, quente! Mas sobretudo SECO!] e uma t-shirt que me trouxeram da Bulgária que veio fazer toda a diferença! Porque de resto, só os pés estavam secos [abençoados ténis!].

Nunca tinha passado pela experiência de começar a fechar o stand mesmo na hora marcada…normalmente, acabamos sempre por ficar até depois da hora, porque os clientes não são nunca mandados embora e enquanto houver público vamos mantendo a porta aberta. Mas desta vez, às 10 em ponto da noite, o stand estava fechado e nós a caminho dos nossos carros.
Mas, apesar do desalento deste dia, o sentimento para o dia seguinte era comum a todos: optimismo!

Cascais, 2º dia:

Em condições normais, e como já tinhamos combinado, apesar do Mundo Mix começar oficialmente apenas às 2 da tarde, abririamos o stand o mais cedo possível, logo pela manhã. Estava já combinado que, enquanto o Carlos ia para a feira do Terreiro do Paço receber os participantes desse dia, eu iria logo cedo para Cascais, para abrir o stand e receber quem fosse de manhã à Cidadela. O previsto seria chegar lá às 10 da manhã.
Mas quando acordei, às 8 horas, a tromba de água que acordou Lisboa fez-me perceber que não valia a pena ir tão cedo…
Saí de casa pouco antes das 11 e pus-me a caminho. Subi ao Largo do Rato, em direcção ao Jardim da Estrela e pensei em parar por lá para dizer olá a quem lá estava, mas com a chuva de umas horas antes tive a sensação que não iria encontrar por lá ninguém. E a verdade é que também a feira da Estrela e todas as actividades previstas para esse dia foram canceladas.

Já não chovia em Lisboa a essa hora, mas o tempo continuava muito pesado, nuvens muito cinzentas e muito baixas, e vento a prometer mais chuva. Mas ao chegar ao final da Infante Santo e ao entrar na 24 de Julho em direcção a Belém vejo ao longe um céu mais leve, menos cinzento, e em algumas partes mesmo azul! Em Algés o tempo estava completamente diferente de Lisboa, havia momentos em que o sol brilhava e durante toda a viagem pela marginal nem sombra da chuva, apenas os estragos que provocou durante a noite e manhã.

Chegada a Cascais um pouco antes do meio dia, o céu mantinha-se leve, bem mais leve. E prometia sol em alguns momentos, porque as nuvens não cobriam totalmente o azul.

No dia anterior, visto o stand ao nosso lado estar desocupado, expandimo-nos para o lado e de dois stands fizemos um só. E no domingo mais gente se expandiu, devido às desistências do dia anterior.
Abri os stands, preparei tudo, voltei a pôr na rua tudo o que tinhamos arrumado à pressa quando a chuva começou no sábado. Tinhamos de novo um stand atractivo, com cor à entrada, charriot e manequim na rua, malas e cestas e boleros pendurados à entrada.

Mas o São Pedro decidiu assustar-nos e quando já tudo estava pronto para começar, às 2 em ponto, veio de novo a chuva.
Se até ali havia um sentimento geral de esperança, veio novamente o desânimo e os chapéus de chuva.
Felizmente, a chuva não durou mais de meia hora. A esperança voltou, o sol, tímido, espreitou de vez em quando, e com ele trouxe quem não tinha vindo no sábado: o público!

Já não houve tempo para conversar com os vizinhos, já não houve mãos a medir com as pessoas que visitavam os stands, apesar do número ser bem menor do que o esperado.
Ainda assim, quem decidiu ir até à Cidadela não se arrependeu.

Voltou a boa disposição [que, na realidade, e apesar da chuva e do desalento do dia anterior, nunca desapareceu por completo], voltou o ânimo, a festa, os concertos que no dia anterior foram cancelados por causa da chuva, a animação.

Gostava de dizer que o balanço do Mundo Mix Cascais foi estrondosamente positivo. Mas não foi. Não deixou de ser positivo, cobriu o investimento [que é sempre grande] e ajudou, mas as expectativas estavam muito lá para cima, a julgar pelo Mundo Mix Cascais do ano passado.
Toda a gente, desde a organização aos expositores, tinha as expectativas em alta. Infelizmente, o São Pedro fez das suas e não permitiu que as coisas fossem melhores.

No entanto, não tenho nada a apontar a ninguém [excepto, se calhar, à qualidade do serviço – e não só – de quem forneceu o sushi].
Tenho que sublinhar o esforço da organização na tentativa de minimizar os problemas que a chuva causou, do apoio que nos deram quando foi preciso, e só posso mesmo lamentar que as coisas tenham corrido como correram por motivos que ninguém pode controlar: o tempo.

De resto? Espera-nos o Porto, no final de Novembro, e mais uma vez estamos prontos para tudo! Felizmente, desta vez, vai ser dentro de portas, por isso não há chuva que nos impeça de, mais uma vez, darmos a conhecer o que de bom se faz por cá.

E a animação, essa, é sempre garantida, com ou sem chapéu de chuva 😉

Mais fotos aqui.

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1 Comentário

  1. Gostei de ler! Li tudo, juro, fiquei cheia de vontade de feira, mas a chuva também não me deixou sair de casa no domingo, para a Estrela. Vais para a semana?

    PS: Também quero ir ao Puorto!


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